RECOMEÇOS IMEDIATOS.
(Crítica à obra O Quase da Mente em Branco, de Munguambe Melo)
Muitas vezes, vi pássaros viverem em jaulas cujas portinholas encontravam-se abertas, isso porque há liberdades que nos acorrentam ao medo de não saber vivê-las.
Quem olha para a obra de Melo imagina uma infinidade de significados, sonha com a possibilidade de preencher a tela, deseja regressar para o instante inaugural em que a vida era uma folha em branco; entretanto, não é fácil compreender. Diria que essa dificuldade é a porta de passagem para um mundo de aventuras. Todavia, que faríamos nós com essa tela?
Escritores sentam-se diante de folhas e criam universos cujo descobrimento muda os trilhos das vidas de milhares de pessoas; entretanto, a angústia do quase está presente em todos os segundos. E é assim com todo ser humano que, vez ou outra, vê-se preso na incerteza da condição humana.
O autor não quer dizer nada e diz tudo, ou diz tudo sem querer dizer nada. Porque é nessa dualidade de significados que habita o sentido da obra e da vida.
Agora, resta-nos a nós a habilidade e a coragem de preencher nossas individuais e cruciais telas nos 365 dias com que fomos presenteados. E, para quem carregar a grande dúvida sobre o rumo que deva tomar, vocês sabem exatamente o que fazer. Até porque, o quase, afinal, não é sinônimo de fracasso, mas de possibilidade suspensa. É nesse intervalo entre o pensamento e a ação que a vida acontece, ainda que nos falte a coragem de nomeá-la.
~por Daisy Charifo
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