O GRANDE PROBLEMA ESTÁ NO PATRIARCADO.
~por Daisy Charifo
Não é sobre respeito, mas sobre um direito que a sociedade concedeu aos homens ao longo dos séculos. O que me inquieta é a ausência de qualquer aviso de que esse direito não implicaria um dever para com as mulheres.
E, se alguém quiser falar de papéis sociais, de como as mulheres foram destinadas à família e à manutenção da casa, que fale também de como veem-se presas em uma rede que concede aos homens o direito da agressão sobre as mulheres.
O casamento é um contrato social invisível, no qual muitos acreditam que o homem se encarrega de prover o sustento e a mulher da manutenção do lar. Assim, o homem é transformado em um super-herói dotado de poderes imaginários e inexistentes, apenas por cumprir aquilo a que se comprometeu.
Mas, se cada um se tornasse herói apenas por cumprir seus deveres, por que nunca fomos ensinados a ver a mulher dessa forma?
Compare-se uma jornada de trabalho masculina, que dura em média oito horas, com a rotina de uma dona de casa, que começa no primeiro minuto do dia e termina sem hora marcada. E que, além de executar tarefas, muitas vezes implica suportar maus-tratos e viver soterrada sob uma sobrecarga constante.
Definitivamente, escolhemos mal os nossos super-heróis.
Mas falar ou escrever sobre isso não mudará absolutamente nada, porque os homens continuarão sendo os queridinhos da sociedade, e as mulheres seguirão vivendo à sombra de uma falsa empatia com cheiro de “mas a mulher nasceu para isso”.
Portanto, caros leitores, não levantemos um debate sobre feminismo enquanto a sociedade permanecer estruturalmente machista.
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