O FIM DOS TEMPOS

  18 de outubro, 23h. A promessa de democracia foi assassinada a sangue frio por quem jurou defendê-la.

A corrida contra o tempo terminou no momento em que deixamos a história ser pisoteada por aqueles que venderam promessas e entregaram prisões.

Hoje, dia 18 de outubro, às 23 horas, torno-me mais uma entre tantos que despertam para uma verdade amarga: não fomos libertados, fomos reciclados num sistema de dominação mais dissimulado, mais corrupto e infinitamente mais cruel.

Durante meio século, a imagem do “libertador” foi alimentada e idolatrada como se heróis pudessem existir eternamente isentos de críticas. Mas o tempo, esse que nunca mente, tratou de desmascarar intenções. A cada década, tornava-se mais evidente: a nossa soberania é uma fachada. A bandeira tremulava, mas os corpos permaneciam curvados.

Anos atrás, disseram-nos que os combatentes tinham conquistado a liberdade do povo. Hoje sabemos que conquistaram, na verdade, o direito exclusivo de nos explorar. A luta não era contra o colono, era pelo trono. A transição foi rápida: dos grilhões à gravata, da chibata ao decreto.

Ontem, celebrávamos enlaces matrimoniais luxuosos em Dubai. Hoje, recebemos bilhetes VIP para o matadouro social que se tornou a nação. Enquanto isso, durante décadas, entidades públicas foram beneficiando-se do bom e do melhor, sem prestação de contas, sem interrupção, sem oposição- graças à fidelidade cega de um povo domesticado por promessas vazias e bandeiras tingidas de vermelho-sangue.

A juventude, que deveria ser o futuro, é usada como ferramenta de manipulação política. Jovens sem formação política, mas cheios de slogans. Jovens armados de raiva, não de consciência. E assim, transformam-se em soldados de uma conduta deplorável, prontos a dizimar o próprio povo em nome de líderes que jamais os reconheceriam fora das campanhas.

É doloroso assistir à esperança coletiva sendo consumida lentamente por ratos: os de verdade, que dividem a xima com o povo nas barracas ,e os outros, de colarinho branco, que destroem o país de dentro dos gabinetes.

E o que dizer da União Europeia, que agora retorna a África fantasiada de parceira? Explora nossos minérios, acoberta a conduta de seus novos sócios e finge não ver o colapso institucional que ajudou a sustentar. Não basta reconhecer uma oposição que, se de fato tivesse voz, destruiria o esquema de enriquecimento desenhado por corruptos e seus financiadores estrangeiros.

É o velho ciclo com nova embalagem: Europa “generosa”, África “agradecida” e o povo… faminto.


~por Daisy Charifo


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