PARA ONDE VÃO OS INVESTIMENTOS?

 04 de julho de 2022.

A capital moçambicana acordou em estado de alerta. Greve geral dos transportes públicos. O povo, já cansado, desta vez não teve nem o consolo da rotina. Ruas lotadas, paragens superlotadas, salários estagnados, mas o preço de tudo a subir como se a sobrevivência fosse um luxo reservado a poucos.

Vivemos num país bem distante do topo da economia mundial. Isso todos sabemos. O que muitos fingem não saber ,ou não querem responder, é: para onde têm ido os investimentos estrangeiros que entram em Moçambique ano após ano?

Eu não tenho essa resposta. Mas talvez as dezenas de viaturas de luxo estacionadas nas vagas reservadas aos dirigentes nas instituições públicas saibam responder por mim. Talvez as casas dos mesmos dirigentes, sempre em obras, eternamente reabilitadas, possam dar alguma pista.

A pergunta não é só minha. Ela ecoa silenciosa entre milhares de cidadãos que compõem um povo. Um povo que percorre diariamente ruas esburacadas, assiste a hospitais desabastecidos, vê escolas sem carteiras e crianças sentadas no chão. A economia cresce na velocidade de uma lesma cansada.

Enquanto isso, grandes festas são realizadas em nome do enlace matrimonial do “filho de Sua Excelência”, com destino a Dubai. Os convites são em papel perolado, os vestidos sob medida, os brindes importados. Tudo financiado sabe-se lá por quem, ou talvez saibamos, mas ninguém ousa dizer.

Roubem com dignidade, ao menos. Se vão roubar, tenham a decência de respeitar quem trabalha todos os dias para sustentar este país. Quem paga impostos absurdos por serviços inexistentes. Quem acorda às 4h da manhã para lutar por um lugar num chapa. Quem morre com senhas de hospital nas mãos. Roubem com vergonha na cara, com o mínimo de respeito ao suor alheio.

E de novo, eu questiono: Até quando pagaremos por dívidas que sustentam o luxo de quem se diz servidor do povo? Até quando veremos nossas condições de vida desmoronarem, enquanto os representantes deste povo vivem como se fossem monarcas em exílio voluntário?

Mas é isso. Eu confio em ti…

Confio porque ainda quero acreditar que não nascemos para sofrer.

Confio porque ainda há pessoas que resistem.

Confio porque, apesar de tudo, o povo não se calou.

Mas, sinceramente, eu confio em ti… até quando?


~por Daisy Charifo 


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