A VERDADE POR DETRÁS DA NOVA MODA.
Nos últimos meses , ou melhor, nos últimos dois anos o número de influenciadores digitais que se autodiagnosticam com depressão, ansiedade e transtorno de stress pós-traumático cresceu de forma assustadora. Mas será que sofrem, de fato, desses transtornos ou estariam a beneficiar-se da repercussão que o tema tem gerado nas redes?
É chocante perceber como, de repente, uma imensa parcela desse grupo passou a declarar-se emocionalmente instável. Mas seria isso apenas um surto coletivo de suposta depressão e ansiedade, que contagiou os influenciadores digitais? Creio que não. Quantos de nós já ouvimos um conhecido, ou até um desconhecido, justificar atitudes inconsequentes com a frase: “É que eu tenho depressão”?
O problema reside na dificuldade em distinguir o que são realmente transtornos mentais daquilo que são estados emocionais passageiros. Porque se chorar por não ter atingido um objetivo ou demorar a adormecer já for suficiente para um diagnóstico, então todos nós carregamos depressão, ansiedade e, de brinde, sacolas de likes nas costas.
A verdade é que a sociedade tem dado palco a certos aspirantes à fama, enquanto esquece-se daqueles que, sem acesso à visibilidade, estão verdadeiramente no fundo do poço clamando por ajuda em silêncio.
Recordo, com dor, o caso de uma jovem brasileira que cometeu suicídio após a não comparência do noivo no altar. Antes que questionem por que trago esse exemplo, deixo claro: sofria de depressão, ansiedade e transtorno de stress pós-traumático. Sua dor foi real. Sua vida poderia ter sido salva com o acompanhamento adequado. E isso revolta-me, porque, enquanto uns fazem da saúde mental um espetáculo virtual, outros perdem a vida sem sequer terem sido notados.
~por Daisy Charifo
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